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Entre aspas: Pecando pelo excesso – Um manifesto contra o tom pastel

16 Dez

Foto: "A maior liberdade é ser livre de nossa própria mente..."

Daniela Mercury que nada. A cor dessa cidade sou eu. O azul do céu ensolarado, o amarelo da lua cheia na noite caliente, o vermelho do sangue na chacina da zona leste, o verde dos arvoredos em extinção na cidade grande, o cinza dos arranha-céus, o laranja dos faróis dos carros no engarrafamento quilométrico – há um quê de mim em tudo isso. Para o bem ou para o mal, meu arco-íris está aí, esbanjando neon. Ei, você, seja bem-vindo e venha dar a sua pincelada – só não procure na minha aquarela um azul calcinha para colorir a sua indecisão. Não trabalhamos com tons pastel, e nem há previsão de quando chega o primeiro lote.

Maldito seja o artista plástico avarento que misturou água ao magenta pra tinta render mais, e assim, num toque de engano, criou o tom pastel. A paleta de tons pastel é um incentivo à mornidão e um prato cheio para a paumolescência. A bandeira da paumolescência, inclusive, é listrada de verde-musgo, azul calcinha, rosa bebê e amarelinho. E é hasteada por gente que não faz ideia do que quer. Gente que não caga, mas que também não sai da moita, gente que não faz nem fá nem fu, que é de centro-direita, que é eclética e que se arrepende só do que não fez. Atriz, modelo e apresentadora que não dá na primeira noite, que não sorri nas fotos para amenizar as rugas, que não mistura destilado e fermentado e que paga cem paus para tatuar uma estrelinha vazada na nuca. Gente que não sabe se não, mas também não tem certeza que sim. Enfim, gente tom pastel.

E é a elas que eu rogo: mais intensidade, por favor. Suspiros mais profundos, dedadas mais profundas, penetrações mais profundas. Sorrisos mais espontâneos, gemidos mais espontâneos, piadas mais espontâneas. Cores mais vivas, lembranças mais vivas, sofrimentos mais vivos. Céus mais azuis, rosas mais rosas, corações mais vermelhos. Meu coração é vermelho, e espero que o seu também seja, porque o que eu conheço de gente com coração nude não tá escrito… Que prefere não se envolver na iminência de sentir dor. Ou que até se envolve, mas que guarda segredo – afinal, discrição é virtude da nobreza. E que quanto mais conhece os humanos, mais se apaixona pelo próprio yorkshire – afinal, ele de lacinho fica mais bonitinho e mais digno do que o menino que faz malabares para ganhar a vida no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João.

Glorinha Kalil que me desculpe, mas prefiro pecar pelo excesso. De cores, de amores, de entrega, de álcool, de sal, de pimenta, de gordura trans. Porque se sobrar, eu doo, vendo, leiloo, empresto, negocio. Até tempero a sua comida. Agora, se faltar, corre o risco de o saleiro já estar vazio. Por isso, caros amigos tom pastel, convivam com o meu neon. Oito dias pro fim do mundo e vocês aí, se fazendo de rogados? Dá licença.

 

Esse texto foi escrito por Bruna Grotti: “Jornalista, cantora e apaixonada. Pela vida, por sexo, por você. Uma paulista emotiva, sem vergonha, sem papas na língua e que poderia estar matando, roubando ou extorquindo, mas apenas come morangos sensualmente e twitta no perfil @bruna_grotti.” Esse texto ela escreveu para o site casalsemvergonha.com.br pa ler mais textos dela clique aqui.

Xoxo,

          Nanda!

 

Entre aspas: Os Anticorpos que o coração cria

24 Set

Uma descarga elétrica, por favor! Meu coração enguiça só de ler o seu nome. Pílulas de autoestima para engolir de oito em oito segundos. Injeções de vergonha na cara. Removam aquelas noites da minha pele no grito, no tapa, na chacoalhada. Belisquem a minha burrice nove vezes, de cabeça pra baixo. Bife cru nos hematomas do meu amor próprio.

Nossa biópsia teve diagnóstico: relação maligna. A distância se amarrando ao tempo, como último recurso de uma cura. Nós em coma por muitas semanas, para que a sanidade combatesse a fantasia que criei. A eutanásia de um amor nunca devolvido.

Você não infecta mais a minha tranquilidade. Meus anticorpos, as recordações daqueles meses, abortando suas aproximações impulsivas e vazias. Boa notícia. Achei que morreria de você.

Não tem mais febre no rosto, quando você chega. Não tem mas arritmia, quando você fala comigo as mesmas palavras; o mesmo discurso; a mesma mentira; o mesmo eu, eu, eu. Não tem mais pontos frouxos do coração esgarçados pelo som da sua voz turista. Não tem mais tentativa de anestesiar o desconforto com embriaguez crônica e muita mão no copo ou no bolso ou no cigarro que tentei fumar; e luz fraca, para que você não radiografasse meu amor hemorrágico. Não tem mais o seu sorriso contaminando as minhas decisões.

O silêncio que você me receitava era dor aguda, menstruando em todas as linhas que um dia escrevi. Sua indiferença intoxicava a minha cabeça com qualquer poltrona vazia no cinema, qualquer beijo público que eu era obrigada a suportar, qualquer copo da cerveja mais vagabunda, que você enxertava como sua única necessidade.

Aos romances sufocados pela vaidade de alguém, aos corações em estado de choque, aos relacionamentos natimortos: meu coração cicatrizado (mas com queloide).

Texto escrito pela roteirista de TV, dramaturga e blogueira,  Priscila Nicolielo. Pra ver mais textos dela clique aqui e aqui.

                                                                                               Xoxo,

                                                                                                            Nanda!

Le texte des Autres: Proibido ser morno

15 Jun

Proibido Ser Morno

Hoje acordei cheio de vontades, engasgado com meus tantos anseios. Ainda na cama desejei ser um galã à moda antiga e quem sabe enviar uma carta apaixonada para bem longe, só pelo prazer de esperar ansiosamente por uma resposta construída com palavras imprevisíveis. Abri os olhos com a ânsia gritante de recrutar amigos, dos mais sem vergonha, e fazer com eles minha primeira serenata, dessas que começam com pedra atirada na janela e terminam em aplausos solitários e lágrimas caindo de surpresa sobre o parapeito do meu peito, água derramada pela mulher descabelada, que envergonhada mostraria todos os dentes num sorriso impossível de ser guardado para mais tarde.

Hoje despertei arrependido pelas tantas portas de carro que deixei fechadas, com medo de ser cavalheiro em demasia, de fachada, a ponto de parecer mal-intencionado num mundo que atropelou tanta gentileza do passado. Acordei sem conseguir engolir as muitas vezes que cheguei à casa dela de mãos vazias, quando o que mais queria era ter sido portador de um buquê com rosas bem tagarelas, que infelizmente deixei caladas, intocadas na vitrine da floricultura.

Hoje chorei por ter perdido os versos que a vida me obrigou a esquecer antes mesmo que eu pudesse escrevê-los em algum guardanapo de boteco, SMS etílico ou no coração alado de alguma mulher que por ao menos uma noite foi inteira minha. Hoje sorri quando me vi no espelho e em meio à minha barba escura percebi um solitário fio branco, a prova irrefutável de que estou envelhecendo, aprendendo a perder tudo que tenho para quem sabe um dia, poder ensinar algo sobre ganhar o que me falta.

Hoje comemorei com fogos de artifício e champagne as minhas incontáveis derrotas, as inúmeras vezes que passei longe do pódio e nem ao menos pude estimar o peso daquele troféu. Celebrei os gols praticamente feitos que perdi em cima da linha do pênalti, os socos dos quais não fui capaz de esquivar e principalmente, as vezes que subestimei meu adversário e felizmente percebi minha falta de modéstia enquanto superestimava-me. Aplaudi esses tantos tombos com a certeza de que foram eles que me lecionaram o sabor perigoso da vitória e todo o risco presente nas medalhas de ouro que carregamos no peito, como se vestíssemos uma armadura dourada de orgulho.

Hoje cantei Sinatra no banho e sem me importar com meu desafino fiz do xampu microfone, como se pelado eu trajasse chapéu e gravata borboleta, mais que isso: como se de dentro do meu box de vidro transparente eu pudesse enxergar o mundo todo do meu jeito, “My Way”, feito de muita poesia e folhas em branco, prontas para receber a tinta fluorescente dos meus insaciáveis desejos.

Hoje acordei fervendo, com febre de viver e uma incendiária certeza: para abrir os olhos de verdade, não é permitido ser morno. Não importa com qual pé pisará primeiro quando resolver sair da cama e do coma, apenas pise forte e mantenha seus passos com fome, o mundo está ali para que você o devore já! Não espere tanta coisa esfriar.

Ser morno é caminhar em cima do muro, é esperar o tempo passar sem passar pelo tempo. Ser morno é segurar a cintura dela com a mão frouxa, é fazer sexo sem entregar-se até colocar fogo no colchão. Ser morno é desejar coisas medianas e saciar a vontade com coisas menores ainda. Ser morno é fazer striptease pela metade, penetrar pela metade e amar pela metade. Ser morno é estar sempre meia-bomba e não deixar nenhum estilhaço cravado no mundo. Por mais masoquista que pareça, prefira aquilo que queima e inevitavelmente marca – essas são as coisas que, no futuro, te farão olhar pra trás e constatar que a vida valeu a pena.

Quer saber quem escreveu esse texto?

Esse texto foi escrito pelo publicitário Ricardo Coiro para o site Casal Sem Vergonha, e para ler o texto no CSV só é clicar aqui .

Xoxo, 

Nanda!

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