Le texte des autres: O dia em que ela cansou de falar sobre o amor

11 Jan

– Ah, Daniel, você sabe que esse papo de amor é furada, não sabe? Não entendo por que você insiste em retomar esse assunto a cada mínima discussão que a gente tem sobre a vida. Tanta coisa pra falar por aí, sei lá, economia, política, futebol, seus problemas de dicção e as soluções para a TPM feminina.

– Você sempre foi de se esquivar quando o assunto era esse. Te conheço há tanto tempo e nunca te vi encarar de frente uma discussão sobre amor, relacionamentos estáveis, projeções para o futuro…

– Você defenderia algo em que não acredita? Então, eu sou assim. Discutir sobre o amor com uma anti-romântica, instável e entusiasta da ideia de viver o presente e largar os outros tempos verbais pra lá vai ser sempre dessa forma. Não é desilusão, nem frustração. Eu simplesmente acho uma grande perda de tempo ficar teorizando sobre isso tudo. Tanta filosofia boa pras pessoas explorarem e elas ficam falando e falando e falando do maior clichê que a humanidade já viu.

– Mas Ju, diz pra mim. Você até pode não acreditar, mas… O que é o amor pra você?

– O amor é tudo aquilo que as pessoas não conseguem sentir e vivem tentando teorizar para parecerem entendidos do assunto.

– Hmm, profundo. Amor é uma abstração, então?

– Vou te explicar essa minha visão. Houve há um tempo, uma menina que acreditava nas coisas que os mortais diziam por aí. Eu acreditava em homens e mulheres dispostos a encontrar o grande amor de suas vidas e dispostos a permanecer juntos para sempre. E eu era uma dessas pessoas, Dani. Um certo dia, um guri de camisa xadrez e olhos verdes-cor-de-esperança me disse que eu era pra sempre. Eu acreditei na promessa daqueles olhos e, de repente, eu me vi como mais uma no mundo que acreditava. Mas não é porque eu acreditava que essas coisas existiam…

– Mas você já acreditou em amor, então…

– Eu descobri que “pra sempre” dura alguns dias, talvez anos, mas nunca é sempre. Aliás, nunca e sempre são palavras muito parecidas quando se fala de qualquer tipo de relacionamento. Quantos tempo dura o seu amor? Foi isso que eu me perguntei e isso que eu quis me responder. Romântica que nunca fui, achei a minha resposta rapidinho. Isso que vivem falando por aí não é amor. Amor não existe. Isso é outra coisa que não tem nome, não tem cheiro, mas tem fome de casais e românticos incuráveis.

– E é isso que você acha da gente? hahaha

– Não, é isso o que eu acho dessa fantasia de amor. A gente se entende, se dá bem, se gosta e tudo mais. Nosso relacionamento é firme, eu confio em você e a gente paga as nossas contas muito bem. Não, eu não falo “eu te amo” e você sabe muito bem o porquê. Pra quê ficar falando disso tudo o tempo todo. Eu gosto mais do mundo quando eu posso viver o que tem pra viver. Quero mais é deixar o clichê de lado. Quero é que você entenda que esse meu jeito meio sarcástico e realístico não tem nada a ver com você. É minha forma de errar no mundo, de ver as coisas como elas são. Esse sentimento lindo e blá,blá,blá que todo mundo fala pode até se chamar Amor. Mas a nomenclatura de uma palavra não comprova sua existência. É abstração, pensamento de filósofo embriagado, sonho de menina fria e de canalhas românticos. Isso aqui que a gente tem não é amor, mas é real.

– Isso quer dizer então que…

– Isso quer dizer que eu sou assim e ponto final. Vou estar contigo na cervejinha de Sexta e vendo o jogo de Domingo no estádio. A gente teve a sorte de torcer pro mesmo time. Vou continuar as minhas piadinhas sem graça e não gostando de rosa. Vou falar cada vez mais no telefone com as meninas e te dar toda a liberdade pra sair com os guris quando quiser. Aliás, traz todo mundo aqui pra casa e vamos fazer uma festa da próxima vez. Vou deixar meu LP ligado tocando aquela música que você aprendeu a gostar por minha causa e que eu sempre tive como preferida. Vou arrotar alto na sua frente, falar mil palavrões quando estiver com raiva, te encher a paciência quando quiser carinho. Mas acho que cansei de falar de amor o tempo todo, o tempo inteiro. Você é um romântico incurável, meu bem. Mas se você não estiver satisfeito com o que é isso que a gente tem…

– Pode deixar que eu não toco mais no assunto. Sabe por quê? Porque isso é amor pra mim, meu bem.

Quer saber quem escreveu esse texto?

Daniel Oliveira é “jornalista de comportamento” em mesa de bar, publicitário em formação, botafoguense por amor e canalha romântico, para saber mais clique aqui.
Tem um blog ( clique aqui e também é colunista no site casal sem vergonha (clique aqui.

Xoxo,
Nanda!

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