A tal da maturidade

19 Set

A gente nasce criança, depois vira adulta e é condenada à tal da maturidade. Ser chamada de imatura depois dos 40 é quase uma ofensa. Se dito por amigos, pode até ter uma conotação carinhosa: que para você o tempo não passa, que continua a mesma criança. Um elogio, de certa maneira, mas no qual vem embutido – também de certa maneira – algo do tipo: “Nela não se pode confiar para empreitadas mais sérias”. Uma criança, sabe como é… Uma delícia para passar algumas horas, mas sempre uma criança. Vamos falar mais claro: um ser imaturo é, basicamente, irresponsável. E quem confia num ser irresponsável, seja para oferecer emprego, entregar o coração, seja para dar um antibiótico de quatro em quatro horas?

Afinal, para que ser adulto? Com a maturidade, chegam as responsabilidades. Você passa a ser responsável por sua vida e, mais tarde, pela vida dos filhos, tomando decisões das quais não tem nenhuma certeza – mas essa é a obrigação das mães e dos pais. Quando esses filhos crescem e têm os próprios filhos, é possível que seja chamada para dar uma opinião – a quem eles apelariam? A você, que tem – ou deveria ter – as respostas para todas as perguntas, do remédio para a febre aos limites que se deve impor a uma criança. Só que não tem, porque ninguém tem.

Ah, os filhos… Como eles sabem pouco sobre nós. Não sabem que nossos cabelos brancos não querem dizer nada e que temos tantas dúvidas quanto eles. Como saber se é melhor abrir mão de um excelente trabalho em troca de outro que privilegia a qualidade de vida? Aliás, o que é qualidade de vida? Ter tempo para ouvir o canto dos passarinhos e ler? Ter tempo para pensar em problemas nos quais não pensaria se tivesse que acordar cedo, encarar um horário? Às vezes você acha que felizes são os que não tem escolha.

Uma mulher madura tem a obrigação de tomar decisões sozinha – até porque não tem com quem dividir as dúvidas. Faz a reforma da cozinha ou uma viagem? Troca o computador ou manda forrar o sofá da sala? Divide com os filhos uma grana que pintou inesperadamente ou pensa que eles têm muito mais vida pela frente do que você e da uma puxadinha na cara? Oh, as dúvidas de uma mulher resolvida.

Ninguém imagina quanto ela precisa de alguém que – simbolicamente – segure sua mão para atravessar a rua; que segure sua mão para atravessar a vida que é mais perigosa do que qualquer esquina. De alguém que diga que, se continuar sem comer – com essa mania de magreza -, vai acabar doente; de alguém que telefone para sua empregada pedindo para ela cuidar direito de sua alimentação. Lembra como você ficava com raiva quando isso acontecia? “Ei, você pensa que eu ainda sou criança?” Pois é.

Também seria bom ter alguém que perguntasse se você fez o imposto de renda e dissesse que você pode comprar o apartamento, pois, se não conseguir vender o antigo a tempo, ele adianta o dinheiro.

Só se amadurece quando não se tem mais com quem contar, quando se não tem mais pai e mãe. Mas isso a gente só sabe depois.

P.S: Texto escrito por Danuza Leão, retirado da revista Claudia, da coluna “Conversa com a Danuza”. Edição de setembro de 2011 , Nº 9 ano 50.

                                                                                     Xoxo,

                                                                                               Nanda!

Uma resposta to “A tal da maturidade”

  1. dacyele 19/09/2011 às 16:42 #

    queria seguir so ñ axei como me segue bjosss
    http://www.dicasdadacy.blogspot.com/

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