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About the blog

6 Ago

Acho que nunca falei exatamente aqui como o blog surgiu. Na verdade sempre quis ter um blog, mas sempre achei que ninguém ia ler, e se lessem só diriam coisas ruins. Esse ano que eu resolvi deixar de me importar tanto com o que os outros diziam sobre mim, resolvi criar nem que fosse só pra eu mesma ler depois. Criei, nos primeiros dias pouquissimas vistas, e admito que muitas vezes pensei em desistir, por falta de tempo, por poucas visitas… aia eu percebi que se procurasse uma desculpa para desistir sempre encontraria, assim decidi continuar e me empenhar mais.

Agora eu percebo o quanto gosto desse blog, amo escrever sempre amei, criar esse blog que em breve pretendo tornar site, foi ótimo pra mim, está sendo ótimo.

Nesse exato momento o blog já recebeu 1813 que pra muitos pode parecer pouco mais pra mim significa muito. Em breve pretendo tirar fotos, gravar vídeos (talvez nas férias, porque no momento não tenho muito tempo), chamar mais gente pra escrever.

Quero que tenha sucesso, quero publicidade e quem sabe até dinheiro. Agradeço a todos que já vieram aqui e os que estão por vim !

Fiquem a vontade para dizer criticas construtivas, sugestões de pauta e até mesmo se quiser escrever aqui no blog é só mandar um e-mail pra mim (nandax96@hotmail.com).

Obrigada por tudo !

                                                                                   Xoxo,

                                                                                             Nanda&Gabi!

 

Le texte des Autres : Iniciação

6 Ago

Foi numa dessas manhãs sem sol que percebi o quanto já estava dentro do que não suspeitava. E a tal ponto que tive a certeza súbita que não conseguiria mais sair. Não sabia até que ponto isso seria bom ou mau — mas de qualquer forma não conseguia definir o que se fez quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto.Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto — certamente havia o concreto em algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro: as miudezas se amontoavam pelos cantos. Mas o que marcava e pesava mais era o intangível.

Lembro que naquela manhã abri os olhos de repente para um teto claro e minha mão tocou um espaço vazio a meu lado sobre a cama, e não encontrando procurou um cigarro no maço sobre a mesa e virou o despertador de frente para a parede e depois buscou um fósforo e uma chama e fumei fumei fumei: os olhos fixos naquele teto claro. Chovia e os jornais alardeavam enchentes. Os carros eram carregados pelas águas, os ônibus caíam das pontes e nas praias o mar explodia alto respingando pessoas amedrontadas. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca: minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos: meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama.

Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo.

Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus processos, e que dizia sempre saber de tudo quanto fazia ou dizia. A vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manhã sem sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e uma ausência na mão esquerda. Seria sem sentido chorar, então chorei enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram. Então fui penetrando de leve numa região esverdeada em direção a qualquer coisa como uma lembrança depois da qual não haveria depois. Era talvez uma coisa tão antiga e tão humana quanto qualquer outra, mas não tentei defini-la. Deixei que o verde se espalhasse e os olhos quase fechados e os ouvidos separassem do som dos pingos da chuva batendo sobre os telhados de zinco uma voz que crescia numa história contada devagar como se eu ainda fosse menino e ainda houvesse tias solteironas pelos corredores contando histórias em dias de chuva e sonhos fritos em açúcar e canela e manteiga.

Quer saber quem escreveu esse texto ?

Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em Santiago, dia 12 de setembro de 1948 — morreu em Porto Alegre, dia 25 de fevereiro de 1996 foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.

Apontado como um dos expoentes de sua geração, a obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um “fotógrafo da fragmentação contemporânea”.

Quer ler mais textos e trechos desse grande escritor ? Vão ai :

http://caio-fernando-abreu.blogspot.com/

                                                                                   Xoxo,

                                                                                             Nanda !

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