A Garota da Capa Vermelha

21 Abr

É uma boa dica de filme para assistir, a estréia no Brasil é amanhã 22/04/11 , além do filme também há o livro do qual eu já falei aqui em outro post. Abaixo deixo uma critica do filme, e uma resenha do livro :

– Critica do filme, feita por Pablo Villaça :

 

Dirigido por Catherine Hardwicke. Com: Amanda Seyfried, Gary Oldman, Julie Christie, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas, Shauna Kain, Adrian Holmes.

A Garota da Capa Vermelha é uma combinação de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, da fábula de Chapeuzinho Vermelho e da franquia Crepúsculo – ou, em termos culinários, uma mistura de chocolate, pudim e câncer.

Cometida no papel pelo roteirista David Johnson (que já havia defecado A Órfã), a trama acompanha Valerie (Seyfried), a filha caçula de um casal humilde que, morando numa vila no meio da floresta, se apaixona por Peter, um lenhador órfão (Fernandez), embora esteja prometida a Henry (Irons). Decidida a fugir com o namorado, ela acaba desistindo depois que a irmã mais velha é morta pelo lobisomem local (identidade a descobrir), atraindo para a aldeia o sanguinário padre Solomon (Oldman), conhecido por caçar bestas, bruxas e baratas com o auxílio de um enorme elefante de metal (não perguntem; nem mesmo o roteirista consegue levar isto a sério). Enquanto todos tentam desvendar quem é a pessoa por baixo dos pelos de lobo, Peter e Henry disputam a atenção de Valerie, que ocasionalmente faz visitas à sua bizarra vovozinha (Christie).

Trazendo reviravoltas dignas de uma novela mexicana envolvendo amores do passado, traições, meio-irmãos que se apaixonam desavisadamente e até mesmo um Tonho da Lua (é preciso ter mais de 30 anos para entender a referência), A Garota da Capa Vermelha é um esforço tão débil que nem mesmo a história pregressa do padre Solomon faz muito sentido, já que aparentemente ele foi de tolo incrédulo a uma das figuras mais poderosas da nação em apenas 5 anos (a julgar pela idade de sua filha caçula) – e o mais trágico é que o caso que o sujeito narra sobre seu passado ainda assim se revela muito mais interessante do que o filme no qual está contido, sendo lamentável que o restante da trama não tenha sido atirado no lixo para abrir espaço apenas para a trajetória do personagem de Oldman.

Mas não. Aparentemente, Johnson e a diretora Catherine Hardwicke são incapazes de conceber uma imbecilidade sem se apaixonarem por esta – e, assim, temos cenas nas quais uma mãe em luto esquece temporariamente a filha morta apenas para oferecer conselhos amorosos à irmã desta ou outras que apresentam Henry como um jovem abastado que poderia oferecer uma vida muito melhor à protagonista (algo curioso quando percebemos que ninguém naquela vila parecer ter dinheiro e que o próprio Henry não passa de um ferreiro). E prefiro nem comentar clichês como “Se a ama, a deixará em paz” ou a tentativa de frase de efeito “Imaginei que diria isso”.

Buscando desesperadamente emular a série Crepúsculo, cujo primeiro episódio dirigiu, Hardwicke não hesita em transformar Peter e Henry em genéricos óbvios de Jacob e Edward: enquanto o primeiro surge impulsivo e perigoso, o segundo se estabelece como um emo medieval que provavelmente delineia os olhos com carvão enquanto chora ao som de um alaúde. Mas o mais grave é que apesar de tentar estabelecer o primeiro como o verdadeiro amor de Valerie, é o segundo quem surge compassivo e digno da garota, o que quase me fez mudar, por tabela, para o Team Edward (eu disse “quase”). Como se não bastasse, a diretora comprova as suspeitas de que o ótimo Aos Treze, seu longa de estréia, foi mesmo um acidente ao demonstrar não ter a menor noção de mise-en-scène, criando cenas patéticas nas quais Julie Christie salta da cama como uma atração de trem-fantasma e os habitantes da vila se entreolham desconfiados e com efeitos acidentalmente hilários. Da mesma forma, a mixagem do som se esforça ridiculamente para atirar pequenas informações ou esclarecimentos como falas de fundo, como no instante em que um personagem morre e ouvimos alguém dizer “O pai de [fulano]!” (algo absurdo em uma aldeia na qual todos se conhecem intimamente).

Movendo sua câmera sem qualquer propósito narrativo a não ser o de aparentemente mostrar que havia um diretor comandando o projeto, Hardwicke percorre quilômetros de travellings descartáveis enquanto tenta infantilmente levar o espectador a suspeitar de vários personagens – e é fácil concluir que o(a) culpado(a) será justamente aquele(a) praticamente ignorado(a) pela diretora ao longo da projeção. Sem manter qualquer coerência visual, Hardwicke chega a empregar câmeras subjetivas para vários personagens, exibindo seu desespero também ao incluir nada menos do que três planos-detalhe da mesma porta enfeitada com um lobo, como se procurasse se certificar de que iremos aplaudir seus cenários.

O que nos traz ao único elemento realmente admirável do longa: seu design de produção – função que a própria Catherine Hardwicke exercia com certo talento até cismar que sabia dirigir, em 2003. Trazendo a vila como um cenário fabulesco mais do que apropriado aos propósitos do projeto, o filme pinta aquele espaço com uma artificialidade que beira o exagero, mas sem jamais alcançá-lo – e há algo até mesmo de funcional nos espinhos de madeira que parecem cobrir todas as edificações do lugarejo. Além disso, o fato de até mesmo a floresta surgir como um óbvio set poderia conferir charme à narrativa caso esta prestasse em seus demais elementos.

Porque a verdade é que se até mesmo intérpretes veteranas e talentosas como Christie e Virginia Madsen surgem frágeis em A Garota da Capa Vermelha, jovens mais frágeis como Seyfried, Irons e Fernandez pouco poderiam fazer. Já Gary Oldman se salva por abraçar a natureza patética de seu personagem – e repito que um filme centrado no passado do padre Solomon renderia uma bobagem muito mais divertida.

Apelando sem o menor pudor para uma cena de sonho apenas para incluir as falas clássicas da fábula de Chapeuzinho Vermelho (“Por que olhos tão grandes, vovozinha?”), A Garota da Capa vermelha é tão estúpido que a única pergunta que posso fazer aos seus realizadores é “Por que têm orelhas tão grandes?”.

Mas temo que não entenderiam a indagação.

Observação: Há um susto “adicional” (um termo incorreto que implica erroneamente que houve algum outro durante a projeção) após os créditos finais.

 

– Resenha do livro feita por Barbara Dewet

Essa resenha foi muito difícil de ser escrita pelo simples fato de que esse livro me confunde demais e por vários motivos. Talvez não de forma ruim – eu gostei do livro, gostei da história, do mistério e dos personagens – mas vou tentar ser precisa na minha opinião. A Garota da Capa Vermelha, lançamento da editora iD, é uma releitura mais adulta e com terror do clássico da Chapeuzinho Vermelho, isso é um fato. Também é importante saber que o livro não foi escrito antes do filme. É, tem um filme pra ser lançado mês que vem, vocês já viram o trailer? Então, a diretora explica em um prefácio no livro que ele foi escrito baseado no roteiro do filme e com base em pesquisa de personagens com os atores. Uma forma inusitada e diferente de se organizar uma história.

A primeira impressão que eu tive ao começar a ler é que era escrito de forma infantil – mas não para crianças e sim superficial, narrada em terceira pessoa com base na personagem de Valerie e que não tinha muita profundidade. E também que era incrivelmente familiar com o filme de Shyamalan, A Vila, por diversos motivos: Cidade isolada, uma aldeia no meio do nada e com medo de tudo, aterrorizados por um mal que os ameaça de tempos em tempos; sacrifício para o mal em troca de deixar a aldeia em paz; uma cor que faz toda a diferença, no caso da Vila, o amarelo – aqui temos a capa vermelha de Valerie que um dos personagens, em certo momento, chama de “cor de prostituta”.
A narrativa é sim meio sem profundidade, apesar das descrições. A aldeia, na minha cabeça, não tem forma e os personagens só têm rosto por causa do trailer do filme. Talvez esse seja o objetivo, mas senti alguns personagens sem personalidade e com distúrbios de ações.

O livro conta a história de Valerie, que mora nessa vila assombrada por um Lobo. Eles vivem à mercê da criatura, colocando oferendas e se trancafiando quando necessário. Valerie, sua irmã Lucie e suas amigas, partem para um acampamento com os homens da cidade quando, depois de lembrarem ser lua cheia, sua irmã aparece morta. Valerie descobre que está de casamento prometido e apaixonada por outro cara, seu melhor amigo de infância, que é conhecido como encrenqueiro. Quando outra pessoa morre por causa da criatura, a cidade chama Father Solomon, um conhecido inquisidor que é caçador de lobisomens e que trás terror à vila ao declarar que o lobo é um de seus moradores. Desconfianças começam a acontecer e qualquer um – digo mesmo, qualquer um – pode ser aquele monstro que fala na cabeça de Valerie e que mata as pessoas que ela ama. Mas porque será que ela não sente medo do lobo?

O mistério do livro é incrível, realmente tem a expectativa de não saber quem é o lobisomem. Você desconfia de todo mundo. As cenas, durante a leitura, parecem lindas e cheias de acontecimentos. A Garota da Capa Vermelha tem uma leitura fácil, simplória e agradável e é, sim, um bom divertimento. Leia como se fosse um conto de fadas que será adorável.

Mas um aviso: o livro termina de forma abrupta e sem uma resolução final de quem é o lobo. Isso mesmo, como jogada de marketing, você só saberá quem é o personagem tão temido quando ler o capítulo extra que a editora deve disponibilizar assim que o filme sair nos cinemas – ou vendo o próprio filme. Pra quem tem pressa e sabe ler em inglês, pode baixar esse capítulo por aqui. É um ótimo final, imprevisível e de uma forma que eu realmente não esperava.

 

Xoxo,

           Nanda !

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